quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

VÃO OS JUSTOS MORAR NO CÉU

Vão os Justos Realmente Morar no Céu?
Apocalipse 21:1-8
 
A maior ansiedade dos religiosos, ou pelo menos da grande maioria, é um dia ser trasladado aos Céus, onde Deus habita e tem Seu trono, e lá passar algum tempo ou mesmo a eternidade. Seria isto possível? Haveria algum respaldo bíblico a sustentar esta teoria? Muitos acham que sim e se valem de certas passagens bíblicas para se apoiarem. No entanto, é mister que se examine tais textos com muito temor e cuidado. Não podemos esquecer que não se toma um versículo isolado de seu contexto. A interpretação correta das Escrituras é aquela em que os versículos se harmonizam com a inspiração de todo o capítulo ou assunto tratado.

De onde, na verdade, procede a ideia de se morar por algum tempo ou eternamente no Céu? Certamente que não vem das Escrituras. A história nos fala dos homens, denominados filósofos, que criaram ou introduziram na religião romana papal a ideia de se morar no Céu. O povo de Israel nunca creu nisto. Bertrand Russel em “História da Filosofia Ocidental” diz: “O Deão Inge, em seu valioso livro sobre Plotino, ressalta acertadamente o que o cristianismo lhe deve. O platonismo - diz ele - é parte da estrutura vital da teologia cristã, com a qual nenhuma outra filosofia, ouso dizê-lo, poderia funcionar sem atritos. Há, diz, uma extrema impossibilidade de extirpar-se o platonismo do cristianismo, sem o que o cristianismo se faça em pedaços." Assinala que Santo Agostinho se refere ao sistema de Platão como o “mais puro e brilhante de toda a filosofia”. Santo Agostinho é tido como um dos maiores mestres da religião papal. Recomendamos que se pesquise o assunto de morada no Céu e imortalidade da alma em obras que versem sobre as ideias dos antigos filósofos gregos. Muitas surpresas!

1. Qual era a esperança de Israel e dos apóstolos quanto à vinda do Messias?
Em nenhum momento os apóstolos e demais israelitas manifestaram crença de um reino ou morada no Céu com o Messias. Lc. 1:67-75: Uma libertação literal dos inimigos e uma era de paz. Lc. 24:21: Desapontados, pois esperavam já o reino messiânico. Lc. 19:11; Jo. 6:14: Achavam que o reino seria implantado imediatamente. At. 1:6-8: Jesus declara a missão da Igreja antes do estabelecimento do reino.

2. Podemos encontrar nas Escrituras vestígios da intenção de se morar ou alcançar o Céu?
A primeira intenção de que temos notícia foi a dos seguidores de Ninrode, em Babel, na terra de Sinar (Região entre os rios Tigre e Eufrates, mais tarde denominada Babilônia), que elaboraram um projeto de edificar uma cidade com uma torre que tocasse os Céus. Deus não aprovou tal arrogância e lhes confundiu as línguas, paralisando a obra (Gn. 10:8-10; 11:1-8). Tal qual a idolatria e seu culto ao deus-sol, a teoria de uma ida ao Céu também tem suas raízes em Babilônia.

3. Que personagem planejava não só subir ao Céu, bem como lá estabelecer seu trono e se tornar semelhante ao Deus Altíssimo?
Satanás teve este plano e daí pode ter saído a inspiração para os pagãos inventarem uma recompensa totalmente estranha às promessas das Escrituras (Is. 14:13 e 14).

4. Que lugar, segundo as Escrituras, é destinado aos homens justos?
Nunca foi prometido o Céu a ninguém. Os mansos herdarão a Terra e os ímpios dela serão desarraigados (Mt. 5:5; Sl. 37:3, 9-11, 18-20, 22, 29, 34; 10:16; 52:5; Pv. 2:21 e 22; 10:30). Na vinda de Jesus, os habitantes dentre os homens que sobreviverem à grande destruição se converterão e buscarão ao Senhor.
As promessas a Abraão implicam num reino aqui na Terra (Rm. 4:13; Gn. 12:1-3, 7; 13:14-17), e é isto que os gentios convertidos igualmente herdarão (Gl. 3:29).

5. Afinal, o que vem a ser o Céu?
O Céu é o trono de Deus (At. 7:49; Is. 66:1; Sl. 11:4; Hc. 2:20). Jesus o confirma proibindo o juramento (Mt. 5:34 e 35) e revelando, inclusive, que Jerusalém terrena é a cidade do grande Rei. Aí vemos a arrogância dos homens!

6. Não disse Jesus em João 14:2 e 3 que na Casa do Pai havia muitas moradas e que os salvos serão trasladados para a santa cidade?
Na verdade, Jesus disse que na Casa do Pai havia muitas moradas e que Ele tinha que lá comparecer, mas não disse que iríamos para o Céu. Se nós entendemos que estas moradas se referem à santa Jerusalém Celestial, convém examinar Ap. 21:1-4, onde constataremos que esta cidade vai descer do Céu depois do Milênio, depois que a Terra estiver totalmente renovada. E notaremos, inclusive, que nela não há homens. Sim, depois que descer é que será a habitação de Deus com os homens. João 14, na verdade, é uma continuação do capítulo 13, onde Jesus dialogava com os Seus discípulos sobre Sua separação. Este diálogo os entristeceu, e Jesus os alentava, instando-os a seguirem firmes; que não estariam órfãos e que Ele voltaria para estar novamente com eles. Eles não sabiam sequer para onde Jesus iria. Como poderiam então ter uma crença de uma morada no Céu?

7. Como compreender as passagens que parecem dizer que o Céu é o lar dos remidos?
Notem que todas as passagens que falam de uma cidade, pátria nos Céus, não dizem que vamos habitar lá. Reino dos céus está correto e é diferente de Reino nos céus. Repetimos: a Nova Jerusalém só vai abrir suas portas e ser habitada pelos homens depois do Milênio, quando ela vier para a Terra e Jesus entregar o planeta totalmente purificado ao Pai (I Co. 15:24-28; Ap. 21:1).

Lição 02 - Ocupando já os Lugares Celestiais
Texto Básico: II Pedro 1:10-21 // Verso Áureo: Hebreus 12:22

INTRODUÇÃO DA LIÇÃO
O homem de Deus já ocupa uma gloriosa posição de destaque. Embora não reconhecido no presente século, o povo de Deus vive o Reinado Espiritual da Graça atuando como nação sacerdotal que anuncia ao mundo as boas novas do Reino de Deus. Sim, mui em breve o Messias Jesus virá assumir o comando do planeta e estabelecer um Reinado literal de paz e justiça sobre a Terra, no objetivo de levá-la de volta às origens, ao paraíso edênico (Jr. 23:5; Is. 11:9; Ez. 36:35 e 36).

QUESTIONÁRIO
1. Qual era nossa situação antes de aceitarmos o plano de Deus para nossa salvação e com quem era nossa luta naquele tempo?
Mortos, sem Deus e em densas trevas: Ef. 2:1-3; 4:17 e 18; Cl. 2:13; 3:6 e 7. Sem o sacerdócio, o culto e as promessas: Rm. 9:4 e 5; 11:17; Ef. 2:11 e 12.

2. De escravos de satanás e do pecado, que importante mudança já é real em nossa vida de cristãos?
Vivemos na Família de Deus e temos direito em Cristo das mesmas promessas feitas aos israelitas: Cl. 2:12; 3:1-3; Ef. 2:13 e 20; I Jo. 3:2; Gl.3:27-29.

3. Que importante posição ocupamos na condição de povo de Deus? Espiritualmente existe diferença entre um justo e um incrédulo ou ímpio?
Estamos em um nível superior, em lugares celestiais (Ef. 2:5 e 6; 1:3). Já não temos mais lutas contra o homem, a carne e o sangue, mas sim contra as potestades espirituais (Ef. 6:12). Este é o sentido de estarmos já em lugares celestiais, conhecendo e vivendo no Reino da Graça e enfrentando inimigos mais poderosos.

4. Que importância especial tem para nós a passagem de Hebreus 12:22?
A Bíblia cronológica de estudos da Editora Vida data a origem do livro de Hebreus em 64 d.C. Isto significa que já naquela época o povo de Deus tinha chegado ao monte Sião, à Jerusalém celestial. Como? Já somos remidos, buscamos as coisas do alto, vivemos no Reino Espiritual da graça e somos um povo sacerdotal de Deus, que ocupa um lugar de grande autoridade sobre os poderes espirituais da maldade.

5. Faz diferença se estamos ou não ligados e ativos na Igreja de Deus?
É evidente que sim. Como podemos verdadeiramente fazer parte da Família de Deus se não vivermos juntos e em plena comunhão uns com os outros? I Jo. 1:7. A Igreja é o Corpo, e Jesus, a cabeça (Ef. 1:22 e 23). Quem estiver afastado ou fora da verdadeira Igreja não está com ou em Jesus! E é necessário estarmos nEle, ligados em Seu Corpo e exercendo em conjunto com os santos a tarefa sacerdotal e missionária de anunciar o Evangelho do Reino de Deus (Jo. 15:1-7; Rm. 8:1; II Co. 5:17; At. 2:44-47; I Pe. 2:9 e 10).

6. Estando já na verdadeira fé, é correto dizer que estamos buscando a salvação e que obedecemos aos princípios de fé para sermos salvos?
Nunca devemos nos expressar desta forma. Se já aceitamos a Cristo como nosso Salvador pessoal, fomos batizados e ingressamos na verdadeira Igreja, na verdade já somos salvos! A Palavra de Deus é clara ao dizer: somos salvos (Ef. 2:8 e 9). Somos, e não seremos! Jesus já consumou Sua obra e por Seu sangue somos redimidos. Uma vez salvos, temos que lutar sim, não para ganhar a salvação, pois já a temos, mas para conservá-la. “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Ap. 3:11) Ver também cap. 2:25.

CONCLUSÃO
Enquanto que muitos estão inseguros ou mesmo já se julgando como povo de Deus e candidatos a uma morada no Céu por alguns anos ou por toda a eternidade, os verdadeiros cristãos, que se identificam com a Palavra, na realidade já estão em lugares celestiais em Cristo Jesus. Nos relacionamos com Deus, somos assistidos por Seus santos anjos e vivemos numa constante batalha, não mais na carne, com os nossos semelhantes, mas com hostes espirituais da maldade. Buscamos as coisas do alto. Somos vencedores contra o príncipe das trevas. Esta é a grande diferença que o mundo não pode conhecer ou entender. Estamos no mundo, mas num nível espiritual jamais sentido pelos que desconhecem a Deus. Não ambicionamos o Céu, porque o Céu não foi feito para o homem. Lá está o Trono de Deus e é a Sede de Seu Governo. A nós, reservou a Terra. É, na verdade, o estrado de Seus pés, mas... haveria lugar melhor que este para nós? A Terra é um grande projeto. Está contaminada, mas será purificada, voltando a ser o que Deus considerou “muito bom” (Gn. 1:31). Obrigado, Senhor, por tão grande presente. E obrigado, Senhor, pela salvação em Cristo, que nos assegura a vida eterna a Teus pés!

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