segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

AS SETENTA SEMANASDaniel 9
22 Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, vim agora para fazer-te sábio e entendido.
23 No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, pois és muito amado; considera, pois, a palavra e entende a visão.
24 Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.
25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos.
26 E depois de sessenta e duas semanas será cortado o ungido, e nada lhe subsistirá; e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até o fim haverá guerra; estão determinadas assolações.
27 E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador; e até a destruição determinada, a qual será derramada sobre o assolador.

Segundo Daniel, sete semanas, e sessenta e duas semanas estão determinadas a partir da saída da ordem para restaurar e edificar a Jerusalém. Completadas as 69 semanas, então o Messias é tirado, fazendo assim cessar o sistema de expiação por sangue de animais.

Daniel falou de um período de setenta semanas que determinariam a vinda do Messias. Este tempo mede 490 anos; teria início do ano 457 AC e não poderia ser aumentado. São 70 semanas seqüenciais; ininterruptas. Abrir um parêntesis entre a 69ª e a 70ª é uma manipulação da profecia para ajustá-la aos anseios do dispensacionalismo (é uma doutrina teológica e escatológica cristã que afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo será um acontecimento no mundo físico, envolvendo o arrebatamento e um período de sete anos de tribulação, após o qual ocorrerá a batalha do Armagedon e o estabelecimento do reino de Deus na Terra). Se for permitida esta manobra, o que impede de colocar-se outro intervalo entre a 7ª e a 8ª semana? Um exemplo bem simples: é como afirmarmos que de São Paulo a Curitiba tem 50 Km. Muito simples: seguinte essa teoria você roda 45 Km e desliga o velocímetro e ao se aproximar de Curitiba, o liga novamente e aí totalizará os 50 km. No esquema abaixo, as setenta semanas estão dispostas na maneira correta:




FATOS PREVISTOS PELA PROFECIA1) Jerusalém seria restaurada: Daniel estava preocupado e orava ao Senhor, entendendo que as assolações de Jerusalém estavam no fim, visto estarem se acabando os 70 anos de cativeiro babilônico, previsto por Jeremias (Daniel 9:1-3; Jeremias 25:11,12; 29:10; II Crônicas 36:15-21). Deus havia previsto o cativeiro de Judá sob a opressão de Nabucodonozor. Muitos jovens seriam feitos eunucos para servirem ao rei de Babilônia (II Reis 20:16-18; Daniel 1:6-8). Davi retrata o desânimo do povo (Salmo 137:1-4). Isaías revelou, de modo especial, o nome do homem que iria remover o cativeiro de Judá (150 anos antes de seu nascimento - Isaías 44:24,28; 45:1-4) e promover a reconstrução de Jerusalém: Ciro (Isaías 45:1-3,13).

2) As ruas e o muro seriam reconstruídos, mas em tempos angustiosos: Esdras nos dá detalhes dos problemas enfrentados para levar avante a reconstrução (Esdras 4, 5 e 6; Neemias 3 e 4). Pedreiros armados, ver Neemias 4:15-18.

3) O Santo dos Santos seria ungido: O Santos dos Santos, parte mais sagrado do templo, era vedado aos sacerdotes. Lá Deus se fazia presente. Somente o sumo sacerdote, uma vez ao ano, após purificação, podia ali se apresentar. Jesus ali penetrou, após um sacrifício pleno e perfeito e definitivo. Ele abriu caminho, rasgando o véu da separação, permitindo que nosso louvor chegasse ao Altíssimo. Jesus ungiu, e purificou com Seu sangue, o Santo dos Santos (Hebreus 9:1-12, 24; 10:19,20; 6:19,20; Mateus 27:51).

4) O Messias seria tirado: Se o Messias seria tirado depois das sessenta e duas semanas só existe uma semana profética em que isto podia ocorrer: a septuagésima. A palavra tirado, prova que o Messias não teria morte natural. Jesus preencheu a profecia (Isaías 53:8).

5) Extinguiria a transgressão: Ao morrer Jesus disse: "Está consumado." (João 19:30). Nenhum sacrifício futuro poderia acabar com a transgressão; ela acabou no Calvário (Hebreus 9:15; Isaías 53:5).

6) Daria fim aos pecados: Quem é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo (João 1:29; I João 3:5)? Jesus veio para salvar o Seu povo de seus pecados (Mateus 1:21; Hebreus 9:26). Sacrifícios de animais não podiam tirar pecados, mas Ele ofereceu um sacrifício para sempre (Hebreus 10:4-17). Levou sobre si nossos pecados (I Pedro 2:24; Isaías 53:6).Todos: passado, presente ou futuros, foram tirados na cruz.

7) Expiar a iniquidade: Jesus, nosso Sumo sacerdote, por Sua morte expiou os nossos pecados, nos reconciliando com Deus (Hebreus 2:17; Colossences 1:20; Tito 2:14).

8) Trazer a justiça eterna: Jesus veio para cumprir toda a justiça, é nossa justiça e por Seu sangue nos justificou com uma eterna redenção (Mateus 3:15: Romanos 5:17-21; I Cor. 1:30; I Ped. 2:24; Rom. 3:21-26; Hebreus 9:12).

9) Selar a visão e a profecia: Selar no caso diz respeito a confirmar a veracidade do profeta e da profecia (I Reis 21:8; Jeremias 32:10; João 6:27). Jesus selou a profecia, cumprindo o que nela estava escrito (Atos 3:18; João 5:39; Lucas 24:44).

10) Firmar um concerto: Jesus pelo Seu sangue estabeleceu um concerto ou pacto eterno, o novo testamento, sendo Ele nosso Mediador (Mateus 27:28; Hebreus 9:14,15; Romanos 15:8-12; Hebreus 12:24; 13:20)

11) Cessar o sacrifício e a oferta de manjares: Os sacrifícios do antigo pacto eram meramente um tipo do sacrifício final de Cristo. Após o Calvário, não resta mais sacrifícios pelos pecados (Hebreus 9:28; 10:10, 18). Embora os judeus os seguissem fazendo, nenhum valor mais tinham perante Deus. Jesus cumpriu literalmente esta palavra, morrendo numa quarta-feira e após 3,5 anos de ministério. Metade da semana de dias e de anos. O tempo da morte de Jesus estava determinado (João 7:6, 30; 17:1; Mat. 26:18, 45). Ao iniciar Seu ministério, Jesus determinou que se pregasse somente aos de Israel; o convênio era com o povo de Daniel. (João 1:31; Mateus 15:24; 10:5,6) . Mesmo após a morte e ascensão do Senhor o Evangelho ainda seguiu, por algum tempo, sendo pregado somente a Israel. Era mister se cumprir os 3,5 anos restantes e concluir-se a septuagésima semana. Após o martírio de Estevão, os cristãos se dispersaram de Jerusalém e em Cornélio encerrou o ministério exclusivo da pregação aos judeus (Atos 8:4; 11:18, 19; 13:46-48).

12) Destruição de Jerusalém e do templo: Depois de tirado o Messias Jesus, o povo de um príncipe viria para destruir Jerusalém e o santuário. Que povo e que príncipe é este e quando viriam? No ano 70 AD os exércitos romanos, sob o comando de Tito invadiram, destruíram e tomaram Jerusalém e o templo. Israel foi espalhado e só se reorganizou como nação em 1948. O concerto com o povo de Daniel foi feito por Cristo e Ele na metade da septuagésima semana, após 3,5 anos de ministério, cessou o antigo pacto, cumprindo todos os itens desta profecia. Messias, o Príncipe e o outro príncipe: O príncipe que haveria de vir com seu povo não é o mesmo Jesus. O Mestre mesmo falou da invasão e assolações causadas pelos gentios e da fuga dos judeus (Lucas 21:20-24; Mateus 24:15-20). A profecia de Daniel não fala de nenhum anticristo. Jogar a última semana para o futuro é abrir um rombo na seqüência dos 490 anos e tentar impor uma doutrina só conhecida a partir do princípio do século XIX.

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